Transição Agroecológica

O momento histórico conhecido como Revolução Verde permitiu um aumento considerável na produção agrícola mundial. Sabe-se, entretanto, que o modelo produtivo consolidado por esse processo, pautado na monocultura e altamente dependente de insumos químicos, gera uma série de externalidades negativas, como a degradação dos solos, desmatamento, perda de biodiversidade, emissões de gases de efeito estufa e contaminações por agrotóxicos (ABRASCO, 2015; FAO, 2017). Essas consequências, por sua vez, levam a um cenário com terras cada vez menos produtivas e perdas de safra por ataques de pragas e doenças e por eventos climáticos extremos (NICHOLLS et al, 2015).

Tendo em vista o fato de que um dos maiores desafios da atualidade consiste justamente em alimentar uma população crescente, fica evidente a necessidade de buscar sistemas produtivos capazes de garantir disponibilidade e acesso a alimentos saudáveis produzidos de maneira segura e, ao mesmo tempo, conservar os recursos naturais dos quais dependemos para sobreviver. Um caminho promissor para alcançar esse objetivo reside na disseminação de práticas agroecológicas, como a produção orgânica e sistemas agroflorestais, que buscam aumentar a produtividade enquanto regeneram ecossistemas e eliminam riscos à saúde decorrentes da exposição a agrotóxicos (FAO, 2014).

A agricultura familiar se apresenta como peça chave na busca por sistemas agroalimentares mais sustentáveis. Responsáveis pela produção da maior parte dos alimentos frescos e saudáveis que consumimos, são estes os agricultores que garantem a segurança alimentar e nutricional da população e detêm conhecimentos e práticas valiosas para a conservação da biodiversidade e outros serviços ecossistêmicos.

Atualmente, no Brasil e em outros países, os alimentos orgânicos, agroecológicos e em transição vêm ganhando espaço no mercado, especialmente em decorrência de uma maior preocupação dos consumidores em relação à saúde. Essa tendência, apesar de positiva, exige cautela, uma vez que existe a possibilidade dessa demanda ser suprida por produtores de maior porte, perdendo-se uma valiosa oportunidade de fortalecer a agricultura familiar e intensificando ainda mais as desigualdades no campo.

Esforços governamentais, como a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PNAPO) e a Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (PNATER), têm exercido importante papel para promover a adoção de práticas agroecológicas pela agricultura familiar e seu acesso ao mercado, a fim de tornar a cadeia de alimentos mais justa e resiliente.

No entanto, para viabilizar uma transformação estrutural, é necessário o engajamento de uma diversidade de atores, em que governos e empresas ocupam posições de destaque nessa missão, devido à escala de sua atuação e à capacidade de impactar o funcionamento desse sistema.

Com relação às empresas, em especial as redes varejistas e a indústria de alimentos, as diretrizes construídas buscam orientar para adequações dos negócios à dinâmica da produção agroecológica, a conscientização do consumidor e a criação de mecanismos que remunerem a agricultura familiar agroecológica de forma justa.

No que tange aos governos, as diretrizes apontam para a criação das condições necessárias para o sucesso de políticas e programas existentes relacionados a este tema, como recursos financeiros e assistência técnica qualificada, e para o fomento de mercados favoráveis à transição agroecológica, baseados em circuitos curtos, aproximando a agricultura familiar do consumidor final.

Assim, as diretrizes aqui apresentadas têm o objetivo de promover a transição agroecológica pela agricultura familiar e fortalecer mercados que reconheçam a importância dessa abordagem para a garantia da segurança alimentar e nutricional e a conservação ambiental.

Diretrizes

Clique para conhecer as ações propostas para empresas e governos.

PRODUÇÃO AGROECOLÓGICA COMO BASE PARA O FORTALECIMENTO DA AGRICULTURA FAMILIAR
CADEIAS JUSTAS E TRANSPARENTES DE ALIMENTOS AGROECOLÓGICOS
PREDOMINÂNCIA DE ALIMENTOS AGROECOLÓGICOS NA DIETA DE TODA A POPULAÇÃO

Discussões em Grupo

1) Grupos de trabalho sobre Transição Agroecológica e Mudança do Clima se reúnem para validar versão preliminar das diretrizes (30/10/2019) – Clique aqui

2) 2º encontro do grupo de trabalho Transição Agroecológica (29/05/2019) – Clique aqui

3) 1º encontro do grupo de trabalho Transição Agroecológica (24/04/2019) – Clique aqui