Sobre o Projeto

O Bota na Mesa começou em 2015 com o objetivo de promover a inclusão da agricultura familiar na cadeia de produção de alimentos e abastecimentos de grandes centros urbanos, considerando o comércio justo, a conservação ambiental e a segurança alimentar e nutricional.

De 2015 a 2017, o projeto trabalhou com 9 cooperativas de agricultores familiares na região urbana e periurbana de São Paulo para fortalecer a gestão dessas organizações e promover o acesso a novos mercados.

Após uma etapa inicial de diagnósticos aprofundados da produção e comercialização de cada uma das cooperativas, foram construídos com cada uma delas planos de ação para que pudessem acessar um mercado desejado – desde alimentação escolar até redes varejistas. Foram realizadas, nesse processo, mais de 10 oficinas em campo, com cada uma das organizações, e 4 encontros com todas elas reunidas em São Paulo.

A agenda de formação também foi composta por reuniões de promoção comercial, momentos articulados para que os agricultores apresentassem aos mercados-alvo suas cooperativas, os principais produtos e, principalmente, as capacidades e limitações para atender aos requisitos demandados.

Além disso, foi também o momento de ouvir dos representantes dos mercados quais são as demandas em termos de padrões, embalagem e volume, além dos preços praticados e das formas de pagamento.

Os aprendizados do trabalho com cada uma das cooperativas foram influenciados por aspectos como  (1) o nível do engajamento do grupo, (2) a presença de jovens e mulheres na gestão da cooperativa, (3) o apoio do poder público local, (4) a localização em relação a São Paulo, e também (5) as condições climáticas que afetaram a produtividade neste período.

A experiência nesses anos iniciais de atuação levou a equipe a compreender que a interação entre atores da cadeia de produção de alimentos e abastecimento de grandes centros urbanos se dá em uma complexa rede, diferente do fluxo linear que costuma ser utilizado para representá-la. Nessa rede, se cruzam desafios da “porteira para dentro” – como planejamento da produção, engajamento entre cooperados e competências administrativas – com desafios da “porteira para fora” – como logística, condições climáticas, infraestrutura em territórios rurais.

Outro entendimento em destaque foi a constatação de que o sucesso da interação comercial depende de aspectos que vão além daqueles negociáveis em uma venda, e envolve a atuação de múltiplos atores: instituições financeiras, sindicatos e organizações representativas, associações setoriais, organizações da sociedade civil, institutos de pesquisa, serviços de assistência técnica, empresas que aportam tecnologias ao campo, gestores públicos, para citar alguns exemplos.

Diante da necessidade de promover o diálogo entre esses diversos atores, entendeu-se que havia espaço para ampliar a atuação do Bota na Mesa, dando origem ao processo de construção das diretrizes públicas e empresariais para a inclusão da agricultura familiar na cadeia de alimentos.

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