Mudança do Clima:

Redes de Ação Coletiva para Adaptação dos Sistemas Alimentares

Sob a ótica da resiliência social no âmbito das comunidades rurais, as diretrizes a seguir apontam para ações coletivas que possam fortalecer parcerias e desenvolver relações de cooperação entre os atores da cadeia de alimentos.

Além disso, é fundamental direcionar ações concretas para a transformação das dietas. Segundo o relatório especial sobre mudanças climáticas e terras do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), uma dieta baseada em vegetais, com consumo moderado de proteína animal, dentre outros aspectos como sazonalidade e origem, consiste em uma grande oportunidade para mitigar e adaptar-se às mudanças climáticas.

Incentivar a adequação das escolhas alimentares da população à agenda de mudança do clima

Ampliar o acesso de produtos da sociobiodiversidade à Política de Garantia de Preços Mínimos da CONAB, criando as bases para a inserção destes alimentos nos programas de compras governamentais.

Realizar seminários, oficinas e eventos locais junto ao público envolvido na alimentação escolar buscando fomentar a diversificação dos cardápios e a introdução de alimentos sazonais, da biodiversidade local e PANCs.

Elaborar uma versão regional do Guia Alimentar para a População Brasileira, orientando a população sobre os alimentos mais adequados à região e à época do ano (especificar opções e receitas de café da amanhã, almoço e jantar, bem como mercados onde encontrar os alimentos).

Inserir em sua cadeia de valor produtos da sociobiodiversidade local, apoiando a produção, o beneficiamento e a comercialização desses produtos. Exemplo: PANCs, frutas nativas, mel de abelhas sem ferrão.

Fornecer informações claras e compreensíveis aos consumidores a respeito dos alimentos e seus impactos na saúde e no meio ambiente, especificando as fontes utilizadas para a comunicação.

Adicionar indicadores de sustentabilidade, como pegada de carbono, aos rótulos dos produtos, buscando apoiar a tomada de decisão dos consumidores em direção ao consumo sustentável.

Fortalecer o capital social das comunidades rurais

Organizar em conjunto com sindicatos e associações setoriais locais visitas e viagens de intercâmbio para troca de informação entre os agricultores, a fim de promover estratégias adaptativas.

Fomentar a participação de jovens e mulheres na liderança e protagonismo de suas comunidades (sindicatos, cooperativas, associações, conselhos), a partir de estratégias para a proteção da biodiversidade local e o fomento da agroecologia.

Encorajar e direcionar esforços para a criação de uma rede colaborativa intermunicipal em prol da adaptação à mudança do clima, unindo organizações e pessoas de múltiplas competências. Ex: Sec. de Saúde, Agricultura, Desenvolvimento econômico, Educação, Assistência Social, entre outros.

Financiar projetos e promover iniciativas para valorização de conhecimentos tradicionais, buscando identificar práticas e espécies mais resilientes, garantindo a perenidade do fornecimento de produtos.

A Política de Garantia de Preços Mínimos para Produtos da Sociobiodiversidade (PGPM-Bio) garante um preço mínimo para 17 produtos extrativistas que ajudam na conservação dos biomas brasileiros.

Durante o 2º Seminário de Alimentação Escolar e Ecogastronomia, no município de Nova Santa Rita (RS) foram apresentados casos exitosos de inserção de frutas nativas no cardápio, bem como outras experiências para a aproximação de gestores públicos a agricultores familiares.

A Wikibold se engajou em uma iniciativa de fortalecimento da cadeia de produção de castanha do Pará. Hoje, por meio da iniciativa Origens Brasil, 100% das castanhas utilizadas em seus produtos são provenientes de comunidades tradicionais e povos indígenas do Xingu.

Com o objetivo de contribuir para o protagonismo de jovens e mulheres nas comunidades, o projeto Cacau Floresta contempla dentre suas atividades oficinas de formação com mulheres no tema de Gestão Administrativa e Custos de Produção no Campo — com o apoio do Sebrae — e treinamento em cacauicultura, agrofloresta e restauração florestal com jovens estudantes de casas familiares rurais.

A Rede Pintadas, sediada na Bacia do Jacuípe (BA), realiza um trabalho de articulação em rede social e mobilização de diversos atores em prol da implementação de tecnologias para a convivência com o semiárido.