TRANSIÇÃO AGROECOLÓGICA:

Predominância de Alimentos Agroecológicos na Dieta de Toda a População

Padrões de consumo consistem em um aspecto fundamental a ser trabalhado para que a transição agroecológica de fato aconteça de maneira estrutural nos sistemas alimentares. É preciso compreender e respeitar o caráter sazonal dos alimentos, favorecer a produção local e trazer mais diversidade para nossas dietas.

Além disso, é imprescindível democratizar o acesso a alimentos agroecológicos, tanto no que se refere a preços quanto em termos de abrangência geográfica, ampliando, por exemplo, a oferta nas periferias das grandes cidades. As diretrizes apresentadas a seguir buscam direcionar a atuação sobre esses aspectos.

Criar mecanismos que gerem mudanças concretas nos hábitos alimentares

Fomentar o desenvolvimento de projetos no âmbito escolar que considerem conteúdos relacionados à agroecologia (ex: inserir o tema na grade curricular do ensino básico, realizar ações de conscientização para alunos e familiares, criar hortas nas escolas, envolver alunos no preparo dos alimentos etc.).

Realizar campanhas de conscientização da população em geral sobre a importância dos alimentos agroecológicos (ex: promover semanas de gastronomia, fortalecer feiras anuais de alimentos agroecológicos, realizar parceria com empresas do setor, veículos de comunicação e chefs etc.).

Fortalecer os conselhos de segurança alimentar e nutricional.

Criar gôndolas de alimentos fornecidos por agricultores familiares em transição agroecológica, comunicando aos consumidores seus diferenciais, em termos de saudabilidade e conservação ambiental.

Comunicar na embalagem do produto quais ingredientes são agroecológicos e os benefícios disso para o consumidor.

Promover a aproximação entre consumidores e produtores, com ações como visitas a fornecedores agroecológicos ou em transição, atrelando-as à compra dos alimentos e gerando renda para os produtores.

Realizar campanhas de conscientização, nos pontos de venda, em veículos como televisão, sites e revistas, e em parceria com escolas, a respeito da importância do consumo de alimentos agroecológicos

Democratizar o acesso a alimentos agroecológicos

Aplicar benefícios fiscais para alimentos agroecológicos.

Promover a comercialização de alimentos agroecológicos ou em transição a preços mais acessíveis em regiões mais vulneráveis (ex: fornecer espaço físico para a realização de feiras agroecológicas nessas localidades, programas de venda subsidiada de alimentos agroecológicos em mercados públicos).

Aumentar o limite individual de venda de agricultores familiares agroecológicos para a alimentação escolar.

Instalar hortas comunitárias em áreas públicas, em parceria com organizações da sociedade civil, instituições de ensino e moradores da região.

Criar gôndolas de alimentos fornecidos por agricultores familiares em transição agroecológica, comunicando aos consumidores seus diferenciais, em termos de saudabilidade e conservação ambiental.

A Lei N. 16.140/2015 (Lei dos Orgânicos na Alimentação Escolar), que dispõe sobre a inclusão de alimentos de base agroecológica na alimentação escolar no Sistema Municipal de Ensino de São Paulo, promove a criação de programas educativos de implantação de hortas escolares de base agroecológica. Em linha com esta lei, o Instituto Kairós criou, em parceria com a Prefeitura de São Paulo e outras instituições, o projeto Viva Agroecologia, que busca promover educação sobre segurança alimentar e nutricional por meio da implementação de hortas e ações relacionadas a alimentação escolar e pedagogia com PANCs.

Nº 2.a

O Festival de Agroecologia e Ecoturismo do Leste Paulista acontece anualmente com o objetivo de promover a transformação do sistema alimentar. Reúne oficinas, mesas de debates, feira de produtores e atrações culturais.

Nº 2.b

As Feiras da Reforma Agrária também são importantes eventos que reúnem centenas de milhares de pessoas e promovem a conscientização sobre alimentação saudável, agroecologia e agricultura familiar.

A Prefeitura de São Paulo conduziu em 2016 a iniciativa Quinta da Economia, oferecendo nos sacolões municipais frutas, legumes e verduras a preços mais baixos do que os encontrados nos mercados.

O Instituto Feira Livre é uma associação sem fins lucrativos que promove o acesso a alimentos agroecológicos. O Instituto disponibiliza os alimentos a preços direto do produtor e sugere um percentual de contribuição para pagar seus custos operacionais.

A Prefeitura de Piracicaba construiu uma horta comunitária em um espaço público, para que famílias moradoras da região produzam alimentos para doação a escolas municipais e estaduais do município, além de autoconsumo e geração de renda.