Inclusão do milho guarani na alimentação escolar indígena em Itanhaém – SP

O que é

Pouco se fala sobre as comunidades indígenas que vivem no estado de São Paulo, próximas, ou mesmo dentro de uma das maiores metrópoles do mundo. Estima-se que vivem no estado cerca de 1800 índios Guarani. A região do município de Itanhaém, a pouco mais de 100 km da capital paulista, abriga duas aldeias indígenas, Rio Branco e Tangará, com cerca de 120 famílias e riqueza cultural inestimável.

As duas aldeias são atendidas pelo PNAE e pelo PAA desde 2008. Em 2013, o Banco de Alimentos do município notou em uma visita que alguns produtos que estavam sendo entregues não faziam parte da alimentação indígena, e por isso eram descartados na comunidade. Era necessário conhecer a cultura desse público, para atende-lo de maneira adequada por meio das políticas públicas. Este foi o gatilho para o início do projeto de inclusão do milho guarani na alimentação escolar indígena, que tem como objetivo fortalecer a segurança alimentar e nutricional das comunidades indígenas do município, por meio da inserção de alimentos com alto valor nutricional e cultural para a etnia.

A iniciativa, desenvolvida pelo Banco em parceria com a Funai, envolvia o fomento à troca de sementes entre aldeias da região e assistência para a produção e para adequação às regras do PNAE.

Destaques

Os primeiros anos do trabalho focaram na produção e venda do milho guarani, alimento de grande importância na cultura indígena, pois tem poder curativo, fortalecendo corpo e espírito. A escolha pelo milho foi resultado de pesquisas para compreender seu valor para as aldeias. Sua reintrodução no cardápio das escolas contribuiu para o resgate cultural dessas comunidades, a exemplo do retorno do ritual de batismo Nimongarai, em que as crianças recebem seus nomes em língua guarani, simbolizando suas verdadeiras almas. Os pais levam a criança à casa de rezas com elementos como o ombojapé, alimento preparado com farinha de milho guarani.

Em 2016 foi realizada a primeira venda de milho guarani para o PNAE. Em 2017 a Prefeitura de Itanhaém foi reconhecida pelo governo do estado de São Paulo pela iniciativa. Com o apoio da Funai, os produtores indígenas também foram atendidos pelo programa Microbacias e receberam maquinário para o processamento do milho.

Outros alimentos de valor cultural serão introduzidos no cardápio das escolas indígenas, como a batata guarani, e serão oferecidos também em outras escolas do município. O projeto seguirá fortalecendo essas comunidades e promovendo a segurança alimentar e nutricional dos moradores de Itanhaém.

Aspectos de inovação para a inclusão da agricultura familiar

  • Fortalecimento de povos tradicionais, indígenas, quilombolas e mulheres
  • Acesso pela agricultura familiar a políticas públicas de comercialização e crédito

Conheça mais sobre a iniciativa aqui.

Contato: Luciana Costa – lueducita@yahoo.com.br