Infraestrutura e Tecnologia

O desafio de alimentar uma população crescente torna-se ainda maior quando consideramos os limites que a natureza nos impõe, e entendemos que o aumento da produção não poderá vir acompanhado simplesmente de um aumento na área agricultável. Este cenário leva à necessidade de tornar mais produtivas as terras já ocupadas pela atividade agrícola e, ao mesmo tempo, preservar as condições que garantem no longo prazo a saúde dos solos e a disponibilidade de recursos naturais, e consequentemente a produção de alimentos. Este é o conceito de intensificação sustentável da agricultura (FAO).

A agricultura familiar representa mais de 500 milhões de famílias que atuam na maior parte das terras agrícolas do mundo, produzindo a maioria dos alimentos que comemos (FAO, 2014). Dada esta magnitude, quando falamos em intensificação sustentável da agricultura para garantir a oferta de alimentos, estamos inevitavelmente falando em aumentar a produtividade da agricultura familiar e promover o uso sustentável dos recursos naturais envolvidos na atividade desses produtores. E para que isso ocorra, inovações tecnológicas para o campo são importantes aliadas.

As AgTechs, cada vez mais numerosas e relevantes para a atividade agrícola, representam a possibilidade de se ter uma produção altamente eficiente, otimizando recursos como água, energia e outros insumos. Equipamentos inteligentes, máquinas autônomas, drones, softwares de agricultura de precisão, entre outras inovações, caracterizam o momento atual do setor como uma nova revolução agrícola – a chamada Agricultura 4.0.

No entanto, por ora, a grande maioria destas inovações tem sido desenvolvida com foco em atender grandes propriedades, que produzem em larga escala e possuem os recursos para acessá-las, tendo assim pouca adesão de agricultores familiares. Como consequência, o que se percebe é o risco de que este novo movimento de modernização digital do campo acabe por não contemplar estes atores tão importantes para a garantia da segurança alimentar e nutricional da população, além de exacerbar desigualdades já evidentes no setor.

Permitir, então, que o agricultor familiar se beneficie deste processo envolve não só assegurar seu acesso a recursos financeiros para realizar os investimentos desejados, mas também possibilitar que ele desenvolva as habilidades necessárias para utilizar estas novas tecnologias em sua propriedade. Este caminho passa, ainda, por adaptações nas soluções já existentes e pela harmonização das tecnologias com aspectos culturais e hábitos dos agricultores, uma vez que muitos não são familiarizados com estas ferramentas. Neste sentido, inclusive, jovens agricultores despontam como peças chave para fortalecer a inovação e a sustentabilidade no campo. É essencial, também, um olhar atento para reconhecer e considerar saberes locais e tecnologias que os próprios agricultores familiares já desenvolvem em suas propriedades.

Diversas são as possibilidades de atuação de governos e empresas nesse contexto. Do ponto de vista do poder público, fortalecer e disseminar políticas e programas de acesso a crédito e de assistência técnica e extensão rural são medidas poderosas, pois garantem recurso financeiro e conhecimento ao agricultor. O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF) e a Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (PNATER) são importantes ferramentas para isso. Outra via consiste no fomento ao ecossistema de inovação para a agricultura familiar, por meio de ações como a criação de incentivos fiscais e de núcleos regionais de inovação.

As grandes empresas, por sua vez, podem conquistar uma posição de liderança no mercado ao apoiar pequenos fornecedores no desenvolvimento de competências técnicas e de gestão, que permitam a eles investir na modernização de suas propriedades e na adoção de tecnologias que agreguem valor aos alimentos produzidos. Ainda, redes varejistas e indústrias de alimentos podem atuar em parceria com outros atores, como startups, para a criação de inovações adequadas à realidade de seus fornecedores.

Tendo em vista este panorama, o Grupo de Trabalho em Infraestrutura e Tecnologia, composto por produtores, representantes de entidades de assistência técnica, grandes empresas, startups, gestores públicos, institutos de pesquisa, entre outros, mergulhou no tema com a missão de construir diretrizes públicas e empresariais para fomentar o acesso e adoção, por parte da agricultura familiar, de soluções inovadoras para sua atividade.

Diretrizes

Consideramos que os aspectos abaixo são essenciais para a cadeia de alimentos. Clique para conhecer as ações propostas para empresas e governos.

TECNOLOGIAS ADEQUADAS À AGRICULTURA FAMILIAR

DEMANDA E OFERTA QUALIFICADAS DE RECURSOS FINANCEIROS

APOIO TÉCNICO PARA A ADOÇÃO DE NOVAS TECNOLOGIAS

Discussões em Grupo

1) Ampliando entendimento sobre o cenário  (27/março/2018) – clique AQUI

2) Aprofundamento das discussões e levantamento de ações (17/maio/2018) – clique AQUI

3) Dia de campo (14/junho/2018) – clique AQUI

4) Prototipando as diretrizes (27/setembro/2018) – clique AQUI