Mudança do Clima:

Informação e Conhecimento sobre Mudança do Clima e seus Impactos na Cadeia de Alimentos

Durante o processo de construção das diretrizes, os participantes refletiram sobre a urgência na disseminação de informação para os agricultores e a sociedade em geral em relação à mudança do clima, a partir de uma linguagem acessível e menos técnica. Nesse sentido, é importante ampliar os esforços de comunicação junto aos agricultores familiares e engajar a comunidade local nesta agenda.

Nas ações propostas a seguir, são também contempladas sugestões para a melhoria dos sistemas de prevenção e alerta e contribuições para a transferência de tecnologias que conectem as principais inovações do setor aos agricultores familiares.

Disseminar informações sobre a mudança do clima e seus impactos na cadeia de alimentos

Sensibilizar atores e entidades do setor agrícola sobre causas e efeitos da mudança do clima, bem como possíveis contribuições do meio rural na sua mitigação, utilizando meios de comunicação (redes sociais, palestras, videos) e métodos de extensão rural (ex: cursos do Senar).

Fomentar a produção de conhecimento e de pesquisas para um Zoneamento Agrícola de Risco Climático que contemple culturas de menor escala, como hortaliças e frutas, e divulgar amplamente as informações por meio de eventos regionais e materiais de comunicação (videos e cartilhas), envolvendo sindicatos, associações de produtores e organizações de Ater.

Estabelecer diretrizes para a realização de campanhas publicitárias e de divulgação que reportem amplamente à população as questões relacionadas à produção agrícola e à mudança do clima.

Realizar oficinas, eventos e palestras para o público interno da empresa sobre o tema de mudança do clima e seus impactos na cadeia de alimentos, indicando exemplos de mudanças nas dietas que podem reduzir as emissões de gases do efeito estufa.

Articular junto a organizações setoriais do varejo e da indústria reuniões e seminários para discutir sobre os impactos da mudança do clima na operação das organizações, bem como ações possíveis para o fortalecimento da cadeia.

Mensurar e gerenciar as emissões de GEE, promovendo melhorias nos processos e práticas de sua cadeia de valor.

Garantir o aprimoramento de sistemas de alerta para a prevenção de desastres

Apoiar a realização de eventos regionais temáticos que promovam a conexão da comunidade local com o tema da mudança do clima, especialmente em regiões de maior vulnerabilidade. Ex: exposições artísticas, pedaladas ecológicas, feiras, mutirões de plantio.

Realizar um levantamento de dados regionais que possam nortear programas e políticas públicas, identificando áreas de alta exposição e vulnerabilidade a riscos climáticos. (ênfase em informações históricas das propriedades rurais, seus cultivos agrícolas e perfil socioeconômico das famílias).

Articular a nível estadual e municipal chamadas públicas para a aquisição e implantação de tecnologias de monitoramento e previsão do tempo, a fim de gerar alertas mais precisos à população, bem como recomendações para os produtores rurais.

Implantar sistemas de monitoramento e previsão do tempo, bem como sistemas de alerta aos fornecedores de frutas, verduras e legumes. (Articular parcerias com outras empresas e com governos regionais, a fim de diluir o custo de implementação da tecnologia).

Acelerar o desenvolvimento e implementação de tecnologias produtivas de mitigação e adaptação à mudança do clima

Destinar recursos para projetos de pesquisa e extensão que aproximem governos locais, produtores rurais e universidades, com o objetivo de fomentar a inovação e garantir a devida transferência de tecnologias para os produtores.

Destinar recursos financeiros para a criação de unidades demonstrativas de sistemas produtivos adaptados à mudança do clima, atrelado a projetos de Ater para a disseminação e aplicação das tecnologias. Ex: sistema agrovoltaico, sistema de aquaponia, plasticultura, etc.

Criar programas de mentoria e aceleração de agtechs com soluções produtivas de baixa emissão de GEE e identificar oportunidades de incorporação dessas soluções para o fortalecimento de sua cadeia de valor.

Realizar parceria com universidades e centros de pesquisa para o desenvolvimento de novos implementos e maquinários adequados a práticas produtivas de baixa emissão de GEE, tais como sistemas agroflorestais e manejo orgânico.

Em 2017, a Epagri-SC acrescentou 30 culturas à lista de lavouras com recomendação de cultivo em Santa Catarina, a partir de demandas dos agricultores familiares.

O GHG Protocol é o método mais usado mundialmente pelas empresas e governos para a realização de inventários de GEE. O site Registro Público de Emissões auxilia as organizações na produção e divulgação de seus inventários de emissões de GEE. Seu objetivo é aumentar a transparência na divulgação dos dados, estabelecer benchmarks setoriais e sensibilizar o público para a questão das mudanças climáticas.

O Cemaden Educação – projeto do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) – e o Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp- de São José dos Campos) lançaram a revista em quadrinhos para conscientizar estudantes do ensino médio sobre redução do risco de desastres.

Mapa de risco da seca para a Agricultura Familiar, elaborado mensalmente pelo Centro Nacional de Monitoramento de Desastres e Alertas Naturais (Cemaden). A metodologia considera variáveis físicas e dados socioeconômicos para classificar o nível do risco de municípios.

No Projeto Piloto de Combate à Desertificação na Região do Seridó a inovação em teste consiste em sistemas de reuso coletivo de águas cinzas, buscando promover a segurança hídrica-agrícola das comunidades atingidas nos períodos se estiagem.

O projeto ECOLUME, coordenado pelo Instituto Agronômico do Pernambuco em parceria com outras organizações, criou uma unidade demonstrativa do sistema agrovoltaico na unidade na escola de ensino técnico em agroecologia SERTA (Serviço de Tecnologia Alternativa). A implantação contou com recursos do CNPq.

A Aceleradora100+, da cervejaria Ambev, organiza o evento Demo Day, a fim de identificar soluções para questões socioambientais. A startup Maneje Bem foi a vencedora do concurso e recebeu investimento realização de um projeto piloto de assistência técnica digital e remota com produtores de mandioca no Maranhão, que fazem parte da cadeia de fornecedores da cerveja Magnífica da Ambev.