Juventude na Agricultura:
Empreendedorismo e diversificação de renda

A diversificação de renda nas propriedades rurais, já amplamente discutida na literatura sobre o tema, é um importante gatilho capaz de viabilizar a decisão dos jovens em permanecer no campo.  Nesse sentido, as diretrizes a seguir buscam promover o papel de empresas e governos em despertar o potencial empreendedor dos jovens. De modo geral, as ações apresentadas a seguir buscam conectar a juventude a conteúdos de gestão e a iniciativas que inspirem um olhar para vocações locais. Mais do que o imaginário de “ter a grande ideia, nunca antes pensada” a premissa aqui adotada é a do empreendedorismo que articula interesses e competências e que reconhece potencialidades que estão ao entorno.

Fomentar o empreendedorismo entre jovens agricultores

Fomentar editais de apoio a projetos que contemplem cooperativas e associações que tenham jovens na diretoria.

Criar programas de apoio financeiro e acompanhamento do projetos de jovens agricultores.

Articular com sindicatos rurais a conexão entre propriedades de agricultores mais velhos ou aposentados e jovens agricultores, promovendo arranjos colaborativos como parcerias, contratos de arrendamento.

Articular uma rede de organizações a nível regional e nacional interessadas em promover o acesso a terra para agricultores agroecológicos.

Realizar editais de ATER específicos para a juventude.

Realizar ações de mentoria e aconselhamento em empreendedorismo e gestão para jovens agricultores.

Articular e fortalecer, por meio de parcerias entre poder público, empresas e organizações sociais, uma rede de empreendedores jovens no meio rural, encorajando-os a compartilhar experiências e oportunidades de negócios. (ex: concursos, premiações, encontros).

Ampliar instrumentos financeiros voltados para a juventude

Criar sistemas de garantia diferenciados para a juventude (ex: crédito atrelado a recebíveis, como contratos de PNAE, PAA).

Criar novas linhas do PRONAF que fomentem a formação profissional dos jovens (ex. financiamento para educação superior relacionada a agricultura e empreendedorismo).

Combinar programas de formação empreendedora a aportes financeiros destinados a projetos dos jovens agricultores/as.

Promover a diversificação de renda e a pluriatividade nas propriedades

Promover parcerias com cooperativas e empresas para a criação de estágios para jovens agricultores, com base na Lei do Aprendiz.

Apoiar ações de turismo rural, fortalecendo o patrimônio natural e cultural das propriedades e ampliando a participação de jovens e mulheres

Fomentar o empreendedorismo de jovens em atividades não agrícolas, com oficinas e cursos para identificação de vocações locais que podem ser fonte de renda (ex: culinária, artesanato, esporte, turismo, prestação de serviços).

Promover a diversificação de cultivos agrícolas por meio de cláusulas contratuais ou aquisição de no mínimo duas variedades por produtor.

Organizar encontros entre jovens agricultores e consumidores, mostrando tendências que podem impulsionar novos produtos.

Fruto de uma parceria entre a Fundação Banco do Brasil, o Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) e a Secretaria Nacional da Juventude (CNJ), o programa Juventude rural apoia projetos de cooperativas e associações que pretendem fomentar o empreendedorismo de jovens de 15 a 29 anos.

A “Access to Land” é uma rede europeia que fomenta formas inovadoras de promover o acesso à terra para agricultores agroecológicos.

A “Ação Jovem Rural e do Mar” é uma proposta da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina de incluir a juventude do campo e do mar nas ações de assistência técnica (ATER) do estado de Santa Catarina. O projeto consiste em um programa de formação baseado no princípio da alternância, que intercala períodos de aprendizagem dos Centros de Treinamento  da EPAGRI com períodos com a família/comunidade. Entre cada alternância, equipes de extensionistas da EPAGRI no munícipio de origem realizam o acompanhamento dos jovens e das famílias.

Em 2018, a Nestlé deu início a uma experiência-piloto do Programa Jovens Transformadores em Campo, no município de Água Branca. Os quarenta jovens selecionados passarão por treinamentos sobre Desenvolvimento Pessoal, Sustentabilidade, Empreendedorismo e Educação Financeira.

Rede Jovem Rural foi um projeto coletivo conduzido de 2005 a 2016 pelas seguintes organizações: Instituto Souza Cruz, Associação Regional das Casas Familiares Rurais do Sul do Brasil (Arcafar Sul); Centro de Desenvolvimento do Jovem Rural (Cedejor); Movimento de Educação Promocional do Espírito Santo (Mepes); Movimento de Organização Comunitária (MOC); e Serviço de Tecnologia Alternativa (Serta). A parceria tinha como objetivo promover ações de cooperação e defesa conjunta da causa da juventude rural, além de constituir-se como um espaço para troca de experiências, incentivar a articulação entre seus pares e subsidiar políticas públicas através da divulgação de boas práticas.

O Novos Rurais é um projeto gerido pelo Instituto Souza Cruz e tem como objetivo agir sobre a evasão da juventude do campo, fomentando o empreendedorismo local. O projeto é composto por uma fase de (i) formação e uma fase de (ii) construção de unidades demonstrativas, quando são selecionados jovens aptos para transformar seus projetos de empreendedorismo em Unidades de Referência. Os recursos financeiros são disponibilizados pelo programa.

No Programa Aprendiz Cooperativo do Campo as cooperativas são incentivadas a contratar jovens do curso Aprendiz Cooperativo do Campo como aprendizes, para realizar o trabalho no turno inverso ao período de estudo. Todos os jovens são contratados com carteira assinada.

A Acolhida na Colônia é um projeto de fortalecimento do turismo de experiência nas áreas rurais de Santa Catarina, já em curso desde 1999. É integrado à Rede Accueil Paysan, atuante na França desde o final dos anos 1980 e busca valorizar a vida no campo por meio do agroturismo ecológico, compartilhando o dia a dia com os visitantes.

A Cooperativa de Produtores Agrícolas do Cinturão Verde Alto Tiete (COOPAVAT) que participou do projeto Bota na Mesa entre 2016 e 2017, passou a diversificar a produção ao atender aos editais do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Segundo relatos dos próprios dos agricultores, a produção que antigamente era de temperos (salsinha e cebolinha) passou a integrar outros produtos como cenoura, beterraba, acelga, alface, entre outros.