As Diretrizes

A Construção das Diretrizes

Com a premissa de valorizar não apenas o lugar a que se chega, mas a maneira de fazer, a construção das diretrizes públicas e empresariais para a inclusão da agricultura familiar se deu a partir de um processo inclusivo e colaborativo. Além da participação direta de agricultores familiares e cooperativas, mais de 150 representantes de 100 organizações foram mobilizados e engajados neste processo.

Veja a seguir como foi nossa trajetória em 2018 e 2019.

SISTEMATIZAÇÃO DE CONHECIMENTOS E DEFINIÇÃO DE TEMAS PRIORITÁRIOS (nov-dez/2017)

Em dezembro de 2017, após lançar a publicação Agricultura Familiar e o Abastecimento de Grandes Centros Urbanos, reunimos um grupo de cerca de 30 participantes da rede do Bota na Mesa para colher contribuições sobre os temas que deveriam ser priorizados no processo de construção das diretrizes.

A partir de entrevistas, revisões na bibliográfica e também da vivência em campo durante o acompanhamento com cooperativas, foram definidos cinco temas prioritários. Três deles foram trabalhados em 2018, e dois deles em 2019.

Em 2018, os temas selecionados foram:

Relações de Consumo

que engloba a compreensão acerca do que são práticas comerciais justas e inclusivas, qual é o papel dos atores da cadeia na promoção dessas práticas, quais são os desafios para sua implementação e como superá-los

Infraestrutura e tecnologia

que analisou desafios relacionados à disponibilidade de tecnologias para a agricultura familiar e ao acesso por parte desses produtores

Juventude na agricultura

que refletiu sobre as condições necessárias para que permanecer no campo, levando adiante o trabalho, os saberes e cultura local, seja efetivamente uma opção para a juventude da agricultura familiar

Em 2019, os temas trabalhados foram:

Mudança do Clima

com o objetivo de promover a adaptação dos agricultores familiares à mudança do clima e a capacidade de implementar sistemas produtivos de baixa emissão de gases do efeito estufa, gerando valor efetivo para as famílias e para os ecossistemas.

Transição Agroecológica

que discutiu estratégias para promover a transição agroecológica pela agricultura familiar e para fortalecer mercados que reconheçam a importância dessa abordagem para a segurança alimentar e nutricional e a conservação ambiental.

CONSTRUÇÃO DAS DIRETRIZES EM GRUPOS DE TRABALHO

Para cada tema foram formados grupos de trabalho (GTs) multistakeholder envolvendo agricultores familiares, governos, grandes empresas, startups, institutos de pesquisa e organizações da sociedade civil. Estes grupos cumpriram uma agenda de 3 encontros durante 1 anodiscutindo em profundidade os desafios relacionados aos seus respectivos temas, bem como estratégias e ações que governos, empresas varejistas e indústrias de alimentos poderiam realizar para superá-los.

Os representantes dos GTs também vivenciaram um dia de campo, onde visitaram propriedades de agricultores familiares e cooperativas próximas à cidade de São Paulo. A experiência teve como objetivo aproximar os participantes da realidade dos produtores, permitindo uma maior compreensão dos desafios vividos por eles e, consequentemente, a construção de diretrizes aplicáveis a esse contexto.

Saiba como foram as atividades dos GTs e os dias de campo durante o processo de construção das diretrizes clicando aqui.

CHAMADA PÚBLICA PARA IDENTIFICAR CASOS DE INOVAÇÃO

A fim de contemplar a diversidade do território nacional, realizamos duas chamadas públicas, uma em cada ciclo de trabalho, para selecionar iniciativas inovadoras para a inclusão da agricultura familiar na cadeia de alimentos. Dentre as soluções identificadas, destacam-se startups que aproximam produtores e consumidores, projetos de prefeituras para compra de alimentação escolar, institutos de pesquisa e organizações da sociedade civil, programas de formação para jovens agricultores e políticas públicas para promover sistemas produtivos sustentáveis. Saiba mais sobre esta etapa.

DISSEMINAÇÃO DAS DIRETRIZES

Buscando dar amplitude à articulação do Bota na Mesa, em 2018 a equipe do projeto viajou para Recife, Rio de Janeiro, Florianópolis e Porto Alegre para apresentar uma versão preliminar das diretrizes nos temas de relações de consumo, juventude na agricultura e infraestrutura e tecnologia.

Em 2019, além da construção de diretrizes em novos temas, o Bota na Mesa criou um grupo de trabalho para a construção de ferramentas para a implementação das diretrizes criadas em 2018, a partir de reuniões com representantes de empresas e governos interessados em sua implementação. Os produtos desta etapa envolvem um relatório com contribuições para políticas públicas voltadas para a agricultura familiar e uma ferramenta de apoio à tomada de decisão de gestores empresariais, buscando a inserção desses temas na estratégia da organização.

A partir do lançamento das novas diretrizes nos temas mudança do clima e transição agroecológica, seguem os esforços de implementação do que foi construído nos cinco temas, por meio da articulação com empresas e governos e a sua inserção em novos projetos coordenados pelo FGVces.