As Diretrizes

A Construção das Diretrizes

Com a premissa de valorizar não apenas o lugar a que se chega, mas a maneira de fazer, a construção das diretrizes públicas e empresariais para a inclusão da agricultura familiar se deu a partir de um processo inclusivo e colaborativo. Além da participação direta de agricultores familiares e cooperativas outros 120 representantes de 80 organizações foram mobilizados e engajados neste processo, veja a seguir como foi essa trajetória.

SISTEMATIZAÇÃO DE CONHECIMENTOS E DEFINIÇÃO DE TEMAS PRIORITÁRIOS (nov-dez/2017)

Em dezembro de 2017, após lançar a publicação Agricultura Familiar e o Abastecimento de Grandes Centros Urbanos,  reunimos um grupo de cerca de 30 participantes da rede do Bota na Mesa para definir quais temas seriam aprofundados no processo de construção das diretrizes em 2018. São eles:

Relações de Consumo

que engloba a compreensão acerca do que são práticas comerciais justas e inclusivas, qual é o papel dos atores da cadeia na promoção dessas práticas, quais são os desafios para sua implementação e como superá-los

Infraestrutura e tecnologia

que analisou desafios relacionados à disponibilidade de tecnologias para a agricultura familiar e ao acesso por parte desses produtores

Juventude na agricultura

que refletiu sobre as condições necessárias para que permanecer no campo, levando adiante o trabalho, os saberes e cultura local, seja efetivamente uma opção para a juventude da agricultura familiar

CONSTRUÇÃO DAS DIRETRIZES EM GRUPOS DE TRABALHO (fev-set/2018)

Para cada tema foram formados grupos de trabalho (GTs) multistakeholder envolvendo agricultores familiares, governos, grandes empresas, startups, institutos de pesquisa e ONGs, entre outros. Estes grupos cumpriram uma agenda de  encontros ao longo do ano para discutir em profundidade os desafios relacionados aos seus respectivos temas, bem como propor ações que governos, empresas varejistas e indústrias de alimentos poderiam realizar para superá-los.

Os representantes dos GTs também vivenciaram um dia de campo em Ibiúna, a cerca de 70 km da capital paulista, onde visitaram duas propriedades de agricultores familiares e duas cooperativas da região, a Cooperativa dos Agricultores Familiares de Ibiúna (COAFI) e a Cooperativa Agropecuária de Ibiúna (CAISP). A experiência teve como objetivo aproximar os participantes da realidade dos produtores, permitindo uma maior compreensão dos desafios vividos por eles e, consequentemente, a construção de diretrizes aplicáveis a esse contexto.

CHAMADA PÚBLICA PARA IDENTIFICAR CASOS DE INOVAÇÃO (ago-2018)

A fim de contemplar a diversidade do território nacional, em maio de 2018 realizamos uma chamada de iniciativas inovadoras para a inclusão da agricultura familiar na cadeia de alimentos. Com mais de 60 inscritas, foram selecionadas 14 iniciativas de todas as regiões do país que poderiam inspirar a construção das diretrizes. Elas envolviam, por exemplo: grupos de consumo, startups que aproximam produtores e consumidores, projetos de prefeituras para compra de alimentação escolar, institutos de pesquisa e organizações da sociedade civil, programas de formação para jovens agricultores e arranjos locais para a superação de entraves logísticos. Veja como foi esse processo.

DISSEMINAÇÃO DAS DIRETRIZES (dez/2018)

Buscando dar amplitude ao trabalho realizado, a equipe do projeto viajou para Recife, Rio de Janeiro, Florianópolis e Porto Alegre para apresentar uma versão preliminar das diretrizes a organizações estratégicas de regiões onde a agricultura familiar possui papel relevante na economia. Essa atividade permitiu incorporar ao produto final olhares de outras regiões do país.

PRÓXIMOS PASSOS (em 2019)

Os próximos passos envolvem a internalização das ações propostas para empresas e governos junto a organizações parceiras, colocando-as em prática para de fato promover transformações na cadeia de alimentos. Além disso, outros dois novos temas serão trabalhados em 2019: mudanças climáticas e transição agroecológica.